Alienação parental: o que é, como identificar e o que fazer
- Andrei Machado de Souza
- 26 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
A alienação parental é um tema cada vez mais comum nas disputas de guarda e convivência entre pais e mães após o término do relacionamento. Por afetar diretamente o bem-estar emocional da criança ou adolescente, o assunto exige atenção especial e ação rápida quando identificado.
Neste artigo, você vai entender o que caracteriza a alienação parental, quais são seus principais sinais, como funciona a proteção prevista em lei e quais medidas podem ser adotadas para resguardar o interesse do menor.
O que é alienação parental
Alienação parental é qualquer interferência na formação psicológica da criança ou adolescente realizada por um dos genitores, avós ou qualquer responsável, com o objetivo de prejudicar o vínculo afetivo com o outro genitor.
Essa prática, reconhecida pela Lei 12.318/2010, é considerada uma forma de violência emocional, pois cria obstáculos à convivência familiar saudável e provoca desequilíbrio psicológico no menor.
Exemplos de condutas que caracterizam alienação parental
Algumas práticas são especialmente comuns nos processos judiciais:
• desqualificar o outro genitor por comentários negativos ou acusações sem fundamento
• dificultar ou impedir visitas e contatos, sem justificativa plausível
• manipular sentimentos da criança para causar rejeição, medo ou insegurança
• omitir informações importantes sobre saúde, escola, atividades ou rotina
• criar falsas memórias, distorcer fatos ou atribuir comportamentos inexistentes ao outro genitor
• apresentar denúncias infundadas para afastar o convívio
Essas ações podem ocorrer de forma sutil ou repetitiva, mas sempre produzem efeitos nocivos e duradouros.
Como a alienação parental afeta a criança
Os efeitos na vida da criança ou adolescente podem ser profundos, incluindo:
• ansiedade, tristeza e insegurança
• sentimento de culpa ou confusão emocional
• dificuldade de construir vínculos familiares
• rejeição injustificada de um dos pais
• prejuízos no desempenho escolar e nas relações sociais
• risco de desenvolver problemas psicológicos na vida adulta
Por isso, a alienação parental não é vista apenas como um conflito entre adultos, mas como uma violação direta dos direitos da criança.
Como identificar sinais de alienação
Alguns comportamentos podem indicar que a criança está sendo influenciada:
• mudança brusca de comportamento em relação ao genitor alienado
• falas repetitivas que reproduzem discursos do alienador
• rejeição intensa sem motivo coerente
• medo exagerado, hostilidade ou resistência ao convívio
• relatos que destoam da realidade observada
Sempre que houver dúvida, o ideal é buscar avaliação psicológica especializada e orientação jurídica.
O que fazer diante de alienação parental
Ao identificar sinais, é importante agir com rapidez. Algumas medidas recomendadas são:
• manter registros dos episódios (mensagens, e-mails, horários de visita, etc.)
• tentar dialogar ou recorrer à mediação familiar
• buscar apoio psicológico para a criança
• procurar orientação jurídica para análise do caso
Se houver necessidade, o caso pode ser levado ao Judiciário, que analisará os fatos e poderá adotar providências imediatas.
O que a Justiça pode determinar
Com base na Lei 12.318/2010, o juiz pode:
• advertir o responsável que pratica alienação
• ampliar a convivência com o genitor prejudicado
• determinar acompanhamento psicológico ou biopsicossocial
• fixar multa
• alterar o regime de guarda
• suspender a autoridade parental em situações extremas
O objetivo é sempre proteger a criança e restabelecer a convivência saudável.
Conclusão
A alienação parental é um problema sério que afeta profundamente a formação emocional da criança. Quanto mais cedo o comportamento é identificado, maiores são as chances de minimizar seus danos e restabelecer um ambiente familiar equilibrado.
Se você suspeita de alienação parental ou está enfrentando dificuldades no convívio com seu filho, buscar orientação jurídica é fundamental para garantir a proteção do menor e de seus direitos como genitor.
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